P. da vida – by Cris Penha

P. DA VIDA…

O que me deixa P. da vida na discussões políticas é que se é atacado e xingado por defender os governos do PT ao invés do PSDB, como se fôssemos ignorantes, não entendêssemos de economia ou história. Como se não soubéssemos a diferença entre o programa social desenvolvimentista de um e neoliberal do outro. Como se não tivéssemos sentido no bolso e nas ruas a melhora que o país teve nos últimos 13 anos. Como se não entendêssemos as razões dessa crise econômica e política e quais os objetivos por trás do Golpe. Como se tivéssemos nossa opinião formada por meios de comunicação parciais e golpistas. Como se precisássemos de um pão com mortadela pra isso.

Ora, mostrem os dados estatísticos sociais e econômicos, peguem notícias da época ou textos acadêmicos pra provar que o governo de FHC foi superior, que o povo brasileiro errou por 4 vezes seguidas ou pra provar que esse país estava pronto em 2002. Mostrem o que essa oposição faria de diferente se tivesse vencido a última eleição. Fiquem indignados quando aparecem políticos da oposição no meio de corrupção ou quando seus escândalos ficam engavetados caso do Mensalão Tucano, Cartel do Metrô, Banestado, Lava Jato também ou por aqueles que simplesmente sumiram como as privatizações escandalosas ou compra de votos pra reeleição. Revoltem-se pelo fato da PF naquela época não pegar ninguém importante por não ter autonomia e o Procurador Geral, indicado por FHC, ser primo do seu vice e o sétimo colocado na eleição interna do MPF: ficou conhecido como “engavetador” geral da república. A verdade é que essa oposição, PMDB incluso, nunca fez nada contra a corrupção e a mídia se calou. Já o PT deu autonomia a PF, CGU, desde 2003 indicou o primeiro colocado na eleição interna do MPF para Procurador Geral, fez a Lei da Transparência e Lei Anti Corrupção para combater a corrupção como nunca antes. Todos sabem que esse é um problema histórico que começa com o financiamento privado de campanhas, que o PT é contra mas a oposição é a favor, justamente por que parte do dinheiro não vai pra campanhas mas pro bolso dos candidatos e todos fingem que não sabem disso. Comentem o fato que esse país é uma República Federativa, onde outros poderes tem grande responsabilidade e Estados e Municípios administram quase metade das verbas e cuidam da educação, saúde e segurança diretamente conforme prevê a CF. Relembrem a história antes dizer que tudo deveria estar resolvido após 13 anos de governo. E não sejam ignorantes de dizer que o PT acabou com o Brasil. O PIB teria que recuar no mínimo 40% (reais) pra voltarmos a 2002, sem falar na renda, no salário mínimo, nas conquistas sociais, nos avanços na infraestrutura e das instituições. O PIB em dólares aumentou quase 400%, de US$ 504 bilhões em 2002 para mais de US$ 2,4 trilhões em 2014, comprovando o aumento do poder de compra do brasileiro como nunca antes. Em 2002 éramos a 14ª economia do planeta e em 2014 a 7ª. Todos parecem ter esquecido que os governo Lula e Dilma adotaram um série de políticas sociais inovadoras que tiraram 40 milhões da miséria, que valorizaram o salário mínimo, que acabaram com a Fome, que deram oportunidades aos que nunca tiveram, através de programas copiados pelo mundo como: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Pronatec, Mais Médicos, Farmácia Popular, Samu, Luz para Todos, Pronaf, Ciência sem Fronteiras, PAC e muitos outros.

Ninguém nega que o Brasil atravessa um momento difícil por vários fatores, a começar pela crise mundial, ignorada pelo PSDB e a mídia, que usam crises externas muito menores e localizadas, que não derrubaram as maiores economias ou o crescimento mundial à época, para explicar o fracasso do governo FHC que deu errado na verdade pelo neoliberalismo e pelo câmbio sobrevalorizado de US$ 1 = R$ 1 (como na Argentina que também quebrou) mantido através de juros elevadíssimos (para atrair dólares) o que elevou a dívida pública de 33% do PIB em 1994 para 82% do PIB em 2002, arrebentando a economia e causando até racionamento de energia por falta de investimentos, mesmo com uma seca bem menor que a recente, sem falar no desemprego elevado e ausência de políticas sociais. É verdade que o país saía de uma situção complicada de hiperinflação resolvida pelo Plano Real do governo Itamar Franco, feito por economistas que já tinham trabalhado em planos anteriores e implantado depois que FHC tinha saído pra ser candidato. Mas também é verdade que a política econômica de FHC, que sobrevalorizou o câmbio de forma irresponsável e populista quebrou o Brasil nos levando ao FMI. E não há como defender um governo que depois de 8 anos ainda não tinha resolvido o problema da Fome que matava 300 crianças por dia no Brasil. A dívida pública se manteve muito abaixo desse nível durante todo governo do PT subindo um agora em 2016 para próximo de 67% com a diferença que seu perfil é muito melhor com títulos pré fixados e vencimento médio de 5 anos; em 2002 a maior parte era pós fixada, atrelada ao câmbio e com vencimento de um ano. Hoje temos em torno de US$ 377 bilhões de reservas internacionais que garantem a estabilidade macroeconômica e uma dívida líquida de 39% do PIB apenas. Em 2002 eram apenas US$ 38 bilhões de reservas, sendo parte empréstimos do FMI que o governo atual pagou. Naquela época o FMI apareceu aqui para impor medidas drásticas como fez recentemente na Grécia. Alguém viu o FMI por aqui atualmente?

A crise mundial de 2008 que se extende até hoje é a maior do capitalismo desde 1929. Começou nos EUA, se alastrou pela Europa e derrubou o crescimento da China, de 14% para 6,9% ano passado, a menor taxa desde 1989. Sua causa é o neoliberalismo que desregulamentou o mercado financeiro nas maiores economias do planeta. China, EUA, Europa são os maiores compradores de commodities brasileiras mas também de produtos industrializados como aviões, máquinas ou de serviços, que sofreram uma grande queda na demanda e no preço. A Argentina que também é um grande parceiro comercial reduziu suas importações do Brasil, afetando o setor automobilístico por exemplo. O Brasil ampliou muito seu comércio em 12 anos em relação ao governo passado. Exportávamos apenas US$ 60 bilhões em 2002 comparados a US$ 225 bilhões em 2014 ou 275% a mais. Então como uma crise dessa magnitude, que afeta as maiores economias do planeta e todos os emergentes, não nos afetou?

A queda do barril de petróleo de US$ 140 em 2008 para US$ 30 em 2015, por causa da redução da demanda mundial e da política da OPEP de segurar preços pra inviabilizar o óleo de xisto americano e também o pré-sal, mais caros de produzir, prejudicou imensamente os planos de investimento da Petrobras em um setor que é responsável sozinho por 13% PIB, boa parte das exportações e investimentos em infraestrutura. Isso teve um efeito em cadeia devastador no PIB e na arrecadação ignorado pela mídia. Esta não fala como a empresa estava em 2002, que ela se endividou quando o petróleo estava caro e o dólar barato pra investir no pré-sal e em novas refinarias com o objetivo de reduzir nossa dependência da importação de derivados e aumentar nossa capacidade de produzir e até exportar pois o pré-sal é de excelente qualidade pra produção de derivados de maior valor agregado. Era impossível pra qualquer um prever a crise e todas petrolíferas no mundo passam por dificuldades após a queda recorde do barril, principalmente na passagem de 2014 para 2015.

Também tivemos a maior seca em décadas, mas sem Apagão como em 2001, que impactou nos preços de alimentos e energia por que as usinas térmicas, que nem existiam no governo FHC, foram acionadas a um custo maior. Muitos ignoram, mas as manifestações em junho de 2013 derrubaram as expectativas econômicas de empresários e consumidores, ainda mais com o discurso orquestrado de caos na Copa que vimos se repetir nas Olimpíadas antes de Temer assumir. Com expectativas ruins, o empresário não investe, o consumidor não consome, o governo não arrecada e o país entra numa espiral negativa como de fato aconteceu, nos levando a queda de arrecadação de R$ 180 bilhões em 2015 e a necessidade de um ajuste fiscal. Por esses fatores a economia parou em 2014 (+0,1%), apesar de 2013 ter crescido mais (+3%) que em 2012 (+1,9%), demonstrando claramente que o país estava bem até o povo sair na rua como micos amestrados da oposição e da mídia num momento onde não havia graves problemas na economia e o desemprego era baixo. Temos o movimento mundial de subida do dólar devido a política do FED que começou a subir os juros americanos ao final de 2014. A China passou a desvalorizar sua moeda para tentar exportar mais e sua bolsa teve várias quedas em 2015, o que mostra a gravidade da situação, sendo esse país o maior comprador do Brasil. É verdade também que o governo apostou em medidas anti-cíclicas e abriu mão de muitas receitas, mas na expectativa de impulsionar a economia e pra impedir que a crise chegasse aos brasileiros. Dilma desonerou bilhões em impostos, baixou o preço de energia antes da seca, concedeu subsídios e taxas de juros mais baixas, tudo como o empresariado queria e pressionara, mas esses não investiram como o esperado. Propositalmente talvez para ajudar seu candidato preferido? Para prejudicar um governo que proporcionou os maiores ganhos aos trabalhadores? Por que estavam endividados demais? Onde foi parar esse dinheiro das desonerações? Talvez no bolso e no mercado financeiro, por que na produção ou no investimento é que não foi por que nossos industriais são rentistas também e desejam na verdade o fim da CLT pra reduzir o custo com trabalho e no governo do PT isso nunca aconteceria. Daí o apoio da FIESP/CNI ao golpe. As investigações da Lava Jato, que felizmente o governo Dilma Rousseff não controla e muito menos interferiu como os próprios procuradores afirmaram, também afetaram a economia e mais ainda a política. Ao paralisar as maiores construtoras do país, ao invés de punir apenas os responsáveis, a Lava Jato tem destruído milhares de empregos e contribuído para o agravamento da crise. Mesmo considerando a queda do PIB em 2015, o Brasil teve um dos melhores desempenhos de 2008 até agora entre as economias do G20, devido às políticas anti-cíclicas adotadas mas que chegaram ao limite fiscal.

Essas dificuldades atuais são grandes mas nem de perto lembram crises do passado com hiperinflação, fuga de capitais e dólares, fome matando milhares, desemprego de 20% e sequestro de poupança. Ou quando o FMI apareceu aqui no governo FHC pra emprestar US$ 42 bilhões em 1998 para salvar o dinheiro de especuladores antes da desvalorização cambial de jan/99 que anularia os enormes ganhos desses rentistas com os juros de até 45% da época. Isso por que o país tinha pouquíssimas reservas em dólar para honrar compromissos externos após a farra cambial do dólar a R$ 1 que fez a festa da população mas quebrou a economia. Em 1998 o país estava quebrado, o risco-país era altíssimo, não havia crédito externo, as reservas internacionais eram pífias e não cobriam nem as importações. O FMI impôs medidas recessivas duríssimas para liberar o empréstimo. Alguém impediu o PSDB de governar quando FHC foi reeleito em 1998 escondendo a crise que viria e prometendo não desvalorizar o real, como ocorreu em janeiro de 1999 e depois aumentando o IRPF para 27,5% e criando a CPMF para ajustar a economia, jogando o país numa grave crise social e econômica por 4 anos? O Congresso naquele momento, controlado pelo PSDB/PMDB/DEM não impediram as reformas necessárias e nem os aumentos de impostos. Em 2000 o país já crescia. Isso teria acontecido em 2015 se o PSDB tivesse aceito o resultado das urnas, não tivesse se unido a Eduardo Cunha e aos delatados da Lava Jato do PMDB para paralisar o Congresso, as reformas, votar pautas bombas e jogar o país no caos econômico para que a população, com ajuda da mídia golpista, apoiasse o impeachment de Dilma. Não se tira presidente por causa de crise econômica em lugar nenhum do planeta, ainda mais pelos motivos alegados. Essa crise econômica não teria acontecido dessa forma sem a crise política, tanto que no Boletim Focus que tras as previsões dos economistas do mercado financeiro, ao final de 2014, não previa recessão mas crecimento de 1% em 2015, dólar a R$ 2,80 e nenhuma explosão do déficit público. O que fez as coisas mudarem tão rapidamente?

Todos vimos a complexidade de governar com esse Congresso insano e corrupto onde a oposição e o PMDB passaram a votar contra toda austeridade fiscal que. A oposição e o PMDB buscaram destruir qualquer chance de recuperação econômica pra voltar ao poder através de um golpe. O custo dessa irresponsabilidade está sendo enorme para o país: ao minar o ajuste que defendiam na campanha de 2014, atrasaram nossa retomada prejudicando milhares de empregos e jogando o dólar nas alturas, pois investidores avaliaram que o país não conseguiria colocar as contas em ordem criando mais despesas bilionárias como as pautas bombas criadas pela oposição em 2015. Agora, tentam fazer as reformas que impediram Dilma Roussef de fazer no segundo mandato. Só que agora elas virão da pior maneira possível à maioria. Com Temer virão reformas neoliberais que significam fim de direitos trabalhistas da CLT, terceirização ampla e irrestrista, corte de gastos e programas sociais, privatização de setores estratégicos, entrega do pré-sal, idade mínima de aposentadoria em 70 anos. Tudo em cima do pobre e da classe média que cegamente apoiaram o golpe. Conseguiram jogar o país numa guera onde todos sairão perdendo, com um golpe típico de república de bananas o que afetará inclusive os investimentos externos no país e à continuidade da democracia. A imprensa internacional denunciou o golpe: The New York Times, The Guardial, El País, Le Monde, Spiegel.

Não há maiores provas de que se trata de um golpe travestido de impeachment para livrar corruptos da cadeia: “Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel” para “estancar a sangria” da LJ, por que “Michel é Eduardo Cunha”. “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio” pois “quem não conhece o esquema do Aécio?”. “Fui do PSDB 10 anos, não sobra ninguém”. “Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições sem ela. Enquanto ela estiver lá essa porra não vai parar nunca’”. “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Aí parava tudo.”
Vamos aceitar isso tudo ou vamos reagir?
#ForaTemer

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