Começou primeiro julgamento criminal dos donos da Telexfree

fonte: A Gazeta

“Queríamos apenas ser uma empresa de telefonia no Brasil”, diz dono da Telexfree em julgamento

Carlos Wanzeler um dos donos da empresa, assim como Carlos Costa, é acusado de vender um VoIP clandestino

Com acusações em diversas esferas, os donos da Telexfree foram ao tribunal nesta quinta-feira (07) para o primeiro julgamento na área penal. Eles foram denunciados por crimes contra o sistema de telecomunicações ao oferecer, segundo o Ministério Público Federal, um VoIP clandestino. “Queríamos apenas ser uma empresa de telefonia no Brasil”, disse o empresário e sócio da Telexfree, Carlos Nataniel Wanzeler, ao negar, durante depoimento, que o serviço funcionava de forma pirata. O caso é conduzido pelo juiz Américo Bedê Freire Júnior, titular da 2ª Vara Federal Criminal de Vitória.
Wanzeler é considerado foragido dos Estados Unidos e é investigado pela Polícia Federal brasileira em dois inquéritos. Um apura suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, como lavagem de dinheiro e evasão de divisas. No outro procedimento é verificado estelionato e outros delitos estabelecidos pela Legislação Extravagante.

Para o Ministério Público Federal (MPF), a companhia, registrada na Junta Comercial com o nome de Ympactus Comercial, explorava o serviço de comunicação multimídia (SCM) e de serviço de telefone fixo comutado (STFC) sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Segundo Wanzeler, a ideia de construir uma rede de marketing multinível para a venda do VoIP foi de Carlos Roberto Costa, outro sócio da empresa, que também é alvo das investigações.
“Em 2012, Carlos Costa fez a proposta de parceria. Ele sempre atuou com marketing e eu com telecomunicações. Tivemos a ideia de criar a Ympactus para oferecer o serviço no Brasil porque a mão de obra aqui é mais barata que nos Estados Unidos. Outra razão seria o pagamento do imposto de renda do divulgador. Na época que começamos a empresa, a Anatel disse que não havia nada de errado”, disse ao juiz.
Já Carlos Costa disse que o inquérito policial é sem sentido por não ter encontrado provas de irregularidades. De acordo com o depoimento dele, a Ympactus tinha o papel de administrar os divulgadores, como eram chamados os associados da empresa. A Telexfree nos Estados Unidos seria a empresa responsável pelo VoIP. “A Ympactus não prestava serviço de telefonia. Todos os inquéritos têm anomalias”.
A audiência que durou quatro horas terminou sem sentença. O juiz deu prazo de dez dias para que o Ministério Público Federal e a defesa dos acusados façam novas diligências e as alegações finais.
Para o advogado dos empresários, Rafael Lima, na audiência foi possível provar que a Telexfree não exercia os serviços de telefonia ilegalmente. “Entregamos provas de que a empresa tinha contratos com companhias do setor de telecomunicações que permitiam a prestação do serviço. Está claro que seria impossível agir na clandestinidade”.

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